"Eu me amo"
Durante muito tempo, escrevi cartas. Escrevi poemas. Na verdade, letras de música que nunca receberam melodias. Colecionei lágrimas. Colecionei cicatrizes. E disfarcei, chamei tudo isso de amores não-correspondidos. Nunca houve amor nenhum. Tudo fora inventado por mim. Cultuei dores. Cultivei o sofrer. Achei que era poético querer morrer. De repente, me descobri. Tornei-me solteiro por falta de opção. Hoje, sinceramente, sou solteiro por opção. Saio a hora que quero. Com quem quero. Volto a hora que quero. Não tenho que ligar pra ninguém. Ninguém tem que me ligar. Não tenho que sentir ciúmes. Ninguém tem que sentir ciúmes de mim. Ninguém tem que mentir. E a verdade é que Eu Me Amo! Eu Me Amo
Composição: Roger Moreira Ultraje A Rigor Há quanto tempo eu vinha me procurando Quanto tempo faz , já nem lembro mais Sempre correndo atrás de mim feito um louco Tentando sair desse meu sufoco Eu era tudo que eu podia querer Era tão simples e eu custei prá aprender Daqui prá frente nova vida eu terei Sempre a meu lado bem feliz eu serei
Refrão Eu me amo , eu me amo Não posso mais viver sem mim }
Como foi bom eu ter aparecido Nessa minha vida já um tanto sofrida Já não sabia mais o que fazer Prá eu gostar de mim , me aceitar assim Eu que queria tanto ter alguém Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém Longe de mim nada mais faz sentido Prá toda vida eu quero estar comigo
Refrão
Foi tão difícil prá eu me encontrar É muito fácil um grande amor acabar , mas Eu vou lutar por esse amor até o fim Não vou mais deixar eu fugir de mim Agora eu tenho uma razão pra viver Agora eu posso até gostar de você Completamente eu vou poder me entregar É bem melhor você sabendo se amar
Escrito por C.Y às 15h21
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Meu querido diário... (ou Uma semana de fúria...)
Depois de uma semana exaustiva de serviço, estou mais do que merecidamente de férias. Totalmente de férias só estarei por 15 dias. Pois já no dia 27 de julho, retorno à escola e no dia 31, retorno ao pneu. Mas será o suficiente para aliviar o caos que os diários de classe me fizeram viver dias atrás. Tudo o que passei me fez relembrar o primeiro contato com um diário, há mais de dez anos. Eu tinha 11 anos, estava eu no ano de 1998, na 5º Série do Ensino Fundamental, que hoje é sexto ano. A professora de Língua Portuguesa havia passado uma redação para a sala, havia pedido aos alunos que a lessem em voz alta. Quando chegou a minha vez, comecei a ler meu texto e comecei a achar que ele não estava tão bom quanto eu julgava, então comecei a ler algo que jamais fora escrito que comecei a inventar na hora. A professora notou a minha fugida pela tangente, e em excessos de palavras ásperas perguntou meu número e lançou qualquer coisa em seu diário. O mesmo procedimento foi feito com o resto da sala. A professora se ausentou da sala e deixou seu diário aberto sobre a mesa. Não faltaram curiosos para espiar que nota tinham tirado. Eu também fui deles. Só que para o meu azar, a professora chegou nesse exato momento, me pegou em flagrante debruçado sobre seu diário e mais dois desavisados que me rodeavam. Ao olhá-la, minha única reação foi dar um sorrisinho irônico de alguém que é pego com a boca na botija. Sua reação primeira também fora quase igual a minha. Pensei que tudo não fosse passar disso, acrescido de seus costumeiros berros em forma de pito. Para o meu desengano, num ápice de fúria, ela gritou: “Os três para a diretoria!”. Fomos guiados pelo seu olhar que mais parecia a corrente no pescoço de um cão exaltado. Chegando à diretoria, sua irritabilidade só aumentara, ela explicou em um segundo tudo o que havia acontecido, num gesto impensado, involuntário, jogou todo o material em cima da mesa e gritou para a diretora “Macedônia, eu quero suspensão!”. Novamente, pausando as sílabas: “Sus-pen-são!”. A diretora não teve outra saída, a não ser acatar o desejo impetuoso da professora. Enquanto isso ocorria, alguns outros tolos espionavam a janela da sala. A diretora não deixou por menos: “Quem apronta sempre serve de chacota pros outros!”. Para a minha sorte ou para o meu azar, os dias seguintes ao fato eram um longo feriado prolongado. O que significava que minha suspensão só ocorreria depois desse período de folga. Passei esses dias em desespero. Oscilando em cólicas, pensando se devia contar ou não a minha mãe o que tinha acontecido. Optei por não fazê-lo. E optei também por ir à aula no dia em que estava suspenso como se nada tivesse acontecido, crente de que ninguém ia perceber minha presença indevida. Já no segundo tempo, fui mais uma vez chamado pelas autoridades da escola que me convidaram a me retirar e disseram que eu só seria aceito depois que meus pais viessem à escola. No caminho para a casa, encontrei com minha irmã e lhe expliquei apressadamente tudo o que tinha se passado. Minha mãe não apareceu lá no dia seguinte. Mas um belo dia, ela foi lá falar com a professora de Português. Conversaram um bom pucado de tempo na porta da sala. Depois que minha mãe foi embora, a professora virou-se para mim e disse: “Nossa, Thiago! Sua mãe é uma pessoa tão simpática!’. Era como se dissesse: “Nossa, Thiago! Sua mãe é uma pessoa tão boa e você um mau elemento desses!”. Para a minha mãe, ela disse outros absurdos. Disse que feitos como os meus, ainda o rolo dos diários, precisam ser reprimidos porque qualquer dia eu estaria falsificando cheques e acharia isso natural. Como é que é? Falsificando cheques? Desde quando um menino que um dia mexe no diário da professora, no outro começa a falsificar cheques? Não é impressão minha! Mas depois desse rolo dos diários, essa professora fez questão de me perseguir. Adquiriu por mim um ódio quase gratuito.Em tudo o que eu fazia, ela achava defeitos. Tudo o que eu falava, opinava, ela retrucava. Nunca dava o braço a torcer para mim. Caramba! Eu era bom aluno! Tudo isso por causa de um diário? No conselho de classe, ela foi a única a falar mal de mim e a única matéria em que fui com nota baixa foi a sua. Não sei se para a minha sorte ou para o meu azar, essa professora saiu da sala de aula e foi ser diretora da escola. Uma nova professora entrou e só então passei a ser visto com bons olhos. No ano seguinte, no 6º ano, reprovei, por causa de Matemática. No segundo 6º ano que fiz, a professora-diretora apareceu num dos conselhos de classe, era a oportunidade que ela queria. Fez questão de me discriminar com palavras como “repetente” e uma que eu nunca vou esquecer: “negligente!”Mas por que tudo aquilo? Eu nem sabia o que era significava ser “negligente”. Porém, engana-se quem pensa que eu sempre fui um menininho comportadinho. Depois dessa, fui incontáveis vezes à diretoria pelos motivos mais distintos possíveis; guerra de água no pátio da escola, esquartejamento de mochila em forma de ursinho de alguma menina pentelha da sala, tiração de sarro de uma menina faminta pela merenda da escola, participação no assalto a um estojo de uma menina do 7º ano (a maior burrice de todas), isso sem falar nas vezes em que fui parar na diretoria como vítima. Isso sem falar ainda nas vezes em que cometi atos mais interessantes que nunca me renderam punição alguma, como o de passar a mão nas partes mais atrativas de meninas mais salientes. 11 anos depois, estou à frente de tudo isso: encaminhamento de alunos à diretoria, conselhos de classe e... Diários. Ah os diários! Como eles são infernais! Na semana passada, consumiram meu sono, meu café da manhã, meu almoço, meu jantar, meu descanso. Cheguei de ir dormir às 4 horas da manhã. Uma infinidade de pontinhos, Fs de falta, Xs, traços, curvas, retas. Uma geometria da estupidez. Tudo isso pra quê? Pra nada! Os diários não são vistos por ninguém. São simplesmente arquivados em caixas que ficam dentro da secretaria. Só que quando me avisaram disso, já era tarde. E mesmo se tivessem me avisado, eu teria sofrido da mesma forma. Agora já está tudo entregue Estou de férias. Quero lembrar apenas dos momentos de aprendizagem e distração que vivi na escola. 
P.S. Calma! Esse não é mais um dos meus porres homéricos. É só mais uma das minhas apresentações. Dessa vez um casamento caipira que teve na festa julina da escola em que interpretei um padre bêbado. Foi legal. Quem viu, gostou.
Escrito por C.Y às 11h55
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